{"id":2356,"date":"2020-06-15T17:16:59","date_gmt":"2020-06-15T20:16:59","guid":{"rendered":"https:\/\/cuidarebr.com.br\/?p=2356"},"modified":"2020-06-15T17:16:59","modified_gmt":"2020-06-15T20:16:59","slug":"cansaco-da-quarentena-por-que-paramos-de-ser-vigilantes-e-como-superar-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cuidarebr.com.br\/novosite\/cansaco-da-quarentena-por-que-paramos-de-ser-vigilantes-e-como-superar-isso\/","title":{"rendered":"Cansa\u00e7o da quarentena: por que paramos de ser vigilantes e como superar isso"},"content":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea descobriu que n\u00e3o est\u00e1 mais desinfetando suas m\u00e3os com tanta frequ\u00eancia ou se tornando mais relaxado com viagens desnecess\u00e1rias para fora de casa, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 \u00fanico.<\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno n\u00e3o intencional \u00e9 a &#8220;fadiga do cuidado&#8221; \u2013 e voc\u00ea deve culpar seu c\u00e9rebro por isso. Voc\u00ea provavelmente estava vigilante desde o in\u00edcio da pandemia, sempre procurando formas de garantir que n\u00e3o fosse infectado pelo coronav\u00edrus ou infectasse outras pessoas. A amea\u00e7a era nova e urgente para o seu c\u00e9rebro. Motivado pelo instinto humano de autopreserva\u00e7\u00e3o, um novo medo o motivou a seguir avidamente as precau\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a recomendadas.<\/p>\n<div class=\"cnnTeads\"><\/div>\n<p>Passados tr\u00eas meses, essa sensa\u00e7\u00e3o de imediatismo pode ter desaparecido. A fadiga do cuidado &#8220;ocorre quando as pessoas mostram baixa motiva\u00e7\u00e3o ou energia para cumprir as diretrizes de seguran\u00e7a&#8221;, disse Jacqueline Gollan, professora de duas cadeiras na Faculdade de Medicina da Northwestern Feinberg University: uma em psiquiatria e ci\u00eancias comportamentais e outra em obstetr\u00edcia e ginecologia.<\/p>\n<p>\u201cIsso acontece quando ficamos impacientes com os alertas ou deixamos de acreditar que os avisos sejam reais ou relevantes. Ao fazer isso, alteramos as regras ou interrompemos os comportamentos de seguran\u00e7a, como lavar as m\u00e3os, usar m\u00e1scaras e fazer distanciamento social&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>A fadiga do cuidado \u00e9 observada em situa\u00e7\u00f5es da vida cotidiana ou anterior, como quando voc\u00ea ignora algum tipo de alarme e n\u00e3o o leva a s\u00e9rio porque j\u00e1 o ouviu antes. Esse estado mental ocorre por alguns motivos, incluindo estresse cr\u00f4nico, diminui\u00e7\u00e3o da sensibilidade a avisos e incapacidade de processar novas informa\u00e7\u00f5es com outras pessoas. Voc\u00ea pode combater esse cansa\u00e7o da quarentena com autocuidado, conversando com entes queridos e mudando sua mentalidade para que o ato de seguir as orienta\u00e7\u00f5es pare\u00e7a gratificante em vez de terr\u00edvel.<\/p>\n<h3>Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s amea\u00e7as<\/h3>\n<p>De acordo com a professora Gollan, o cansa\u00e7o com os cuidados pode resultar de uma sensibilidade reduzida a avisos repetidos.<\/p>\n<p>A am\u00edgdala, a regi\u00e3o do c\u00e9rebro que registra o medo, \u00e9 ativada quando vemos ou ouvimos uma amea\u00e7a (ou informa\u00e7\u00f5es sobre a pandemia). Quando nossos c\u00e9rebros percebem amea\u00e7as, o medo \u00e9 comunicado a todo o corpo pelos horm\u00f4nios do estresse e do sistema nervoso simp\u00e1tico ou por nossa rea\u00e7\u00e3o de lutar ou fugir.<\/p>\n<p>\u201cPortanto, a am\u00edgdala \u00e9 importante porque determina a gravidade relativa da amea\u00e7a&#8221;, explicou Gollan.<\/p>\n<p>Depois que o sistema de alarme do c\u00e9rebro dispara, o corpo se prepara para resolver a amea\u00e7a e responder a perguntas como: &#8220;Ser\u00e1 que compro mais mantimentos hoje?&#8221; ou &#8220;Devo me encontrar com esses amigos?&#8221;. Em seguida, entra em a\u00e7\u00e3o o hipocampo, que est\u00e1 conectado \u00e0 am\u00edgdala, e o c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal, que ajuda o c\u00e9rebro a avaliar se uma amea\u00e7a \u00e9 real ou n\u00e3o, como esclareceu a professora.<\/p>\n<p>\u201cEles [hipocampo e c\u00f3rtex pr\u00e9-frontal] basicamente ajustam o contexto de como a limpeza inicial dos mantimentos era importante, mas agora nem tanto. E acionam o freio, para diminuir o medo da reatividade da am\u00edgdala\u201d, observou Gollan.<\/p>\n<p>\u201cNesse momento, a parte da frente do c\u00e9rebro, dedicada ao pensamento, diz: &#8216;Ei, emo\u00e7\u00f5es. Est\u00e1 tudo bem. Voc\u00ea n\u00e3o precisa fazer isso agora\u2019. S\u00e3o processos que usamos para criar uma sensa\u00e7\u00e3o de controle&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o do controle como uma maneira de gerenciar amea\u00e7as pode deix\u00e1-lo mais confiante sobre as coisas que antes o assustavam, porque agora voc\u00ea acredita que est\u00e1 seguro. Pense num filme de terror: ao assisti-lo pela segunda ou terceira vez, ele n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o assustador quanto foi na primeira.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas podem criar um contexto que diz para elas que algo n\u00e3o \u00e9 importante, j\u00e1 que elas n\u00e3o veem ningu\u00e9m doente ao seu redor. N\u00e3o sabem o que est\u00e1 acontecendo, ent\u00e3o por que prestariam aten\u00e7\u00e3o a isso? Portanto, elas podem assumir um senso de confian\u00e7a ou uma percep\u00e7\u00e3o de controle para enfrentar situa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o mais arriscadas do que parecem&#8221;.<\/p>\n<p>Nossos c\u00e9rebros ajustam a percep\u00e7\u00e3o dos alarmes para reduzir o estresse, de modo que leva mais tempo para responder ao aviso ou n\u00f3s o ignoramos. Da\u00ed come\u00e7amos a desinfetar algumas compras, mas n\u00e3o todas, ou apenas lavar as m\u00e3os ocasionalmente.<\/p>\n<h3>Sobrecarga de informa\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>De acordo com Eric Zillmer, professor de neuropsicologia da Drexl University, na Pensilv\u00e2nia, a fadiga do cuidado tamb\u00e9m vem dos desafios cognitivos.<\/p>\n<p>\u201cQuase todo o pa\u00eds est\u00e1 sendo confrontado com uma situa\u00e7\u00e3o amb\u00edgua e complexa de solu\u00e7\u00e3o de problemas&#8221;, afirmou. \u201cNunca passamos por algo assim, por isso \u00e9 amb\u00edguo.&#8221;<\/p>\n<p>A maneira com que o c\u00e9rebro processa novos detalhes agora \u00e9 mais dif\u00edcil, porque o m\u00e9todo para obt\u00ea-los \u00e9 principalmente digital. Por causa do isolamento social, n\u00e3o podemos confiar na regi\u00e3o do c\u00e9rebro que nos ajuda a contextualizar as informa\u00e7\u00f5es processando intui\u00e7\u00e3o ou sugest\u00f5es sociais. Aprender com as pessoas nos ajudaria a processar e refor\u00e7ar positivamente os comportamentos respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>Estamos tentando gerenciar informa\u00e7\u00f5es novas, concorrentes e onipresentes que ainda n\u00e3o internalizamos. E o quadro s\u00f3 complica com regras que mudam o tempo todo e fases de reabertura diferentes nos n\u00edveis federal, estadual, local e pessoal. Ou com o fato de que realmente a gente nem goste de regras, para come\u00e7o de conversa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o tivemos tempo de transformar pr\u00e1ticas de seguran\u00e7a em h\u00e1bitos. Como nosso c\u00e9rebro gosta de consist\u00eancia, todos esses fatores podem tornar exaustivas as diretrizes a seguir.<\/p>\n<p>O excesso de informa\u00e7\u00f5es pode dificultar a leitura adequada do ambiente para entender o que \u00e9 uma amea\u00e7a real e se voc\u00ea est\u00e1 fazendo o suficiente para resolv\u00ea-la.<\/p>\n<p>Reduza a sobrecarga de informa\u00e7\u00f5es lendo apenas informa\u00e7\u00f5es relevantes e confi\u00e1veis de algumas fontes para obter um ponto de vista equilibrado sobre o que fazer.<\/p>\n<p>Transforme pr\u00e1ticas de seguran\u00e7a em h\u00e1bitos, definindo pistas visuais \u2013 por exemplo, coloque sua m\u00e1scara em uma mesa ao lado da porta para se lembrar de coloc\u00e1-la antes de sair.<\/p>\n<p>O processamento social \u00e9 imperfeito no momento, mas pode ajudar a conversar com familiares e amigos sobre o que eles pensam e o que faz sentido para todos.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, quando voc\u00ea \u00e9 confrontado com a situa\u00e7\u00e3o que precisa resolver, tem muito mais op\u00e7\u00f5es em sua caixa de ferramentas&#8221;, disse Zillmer.<\/p>\n<h3>Reduza seu estresse<\/h3>\n<p>Ansiedade e depress\u00e3o aumentadas ou rec\u00e9m-surgidas podem fazer voc\u00ea se sentir sem esperan\u00e7a ou esgotado.<\/p>\n<p>Com o desemprego e as discuss\u00f5es familiares em ascens\u00e3o, o aumento do estresse leva a mudan\u00e7as na forma como nossos c\u00e9rebros funcionam e como nos comportamos.<\/p>\n<p>\u201cSe eu tiver que sair e sobreviver, talvez preste menos aten\u00e7\u00e3o \u00e0 minha sa\u00fade e \u00e0s precau\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, porque n\u00e3o estou focado nisso&#8221;, opinou Gollan.<\/p>\n<p>O estresse tamb\u00e9m facilita o esquecimento das coisas. Mesmo que haja uma chance de adoecer, estar muito exausto pode afetar nossa mem\u00f3ria em situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, pois isso exigiria esfor\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cDecis\u00f5es complexas exigem muita energia e podemos nos cansar ao tomar decis\u00f5es sobre quais riscos valem a pena correr em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s recompensas que recebemos&#8221;, afirmou Gollan.<\/p>\n<p>Reduza o estresse praticando o autocuidado: quando puder, exercite-se, prepare uma refei\u00e7\u00e3o quente para si ou medite.<\/p>\n<p>Trabalhe com os valores que ajudam voc\u00ea a se sentir bem consigo mesmo, disse Zillmer. Sentir-se bem \u00e9 incompat\u00edvel com ansiedade e tristeza, o que pode causar a fadiga do cuidado.<\/p>\n<h3>Mude sua mentalidade<\/h3>\n<p>Normalmente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel reproduzir os instintos iniciais de sobreviv\u00eancia que surgiram no in\u00edcio do surto de v\u00edrus, j\u00e1 que estamos bem al\u00e9m da primeira onda de conscientiza\u00e7\u00e3o. Portanto, tomar decis\u00f5es mais inteligentes tamb\u00e9m envolve reorganizar a maneira como voc\u00ea percebe o risco e a recompensa, para que as precau\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a n\u00e3o pare\u00e7am mais terr\u00edveis.<\/p>\n<p>O medo n\u00e3o \u00e9 mais a motiva\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o voc\u00ea precisa de outra fonte de inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pergunte a si mesmo: &#8220;Que recompensa recebo pelas escolhas que fa\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o ao que estou desistindo?&#8221;<\/p>\n<p>Talvez a recompensa seja sua sa\u00fade ou, altruisticamente, a sa\u00fade de sua fam\u00edlia e de outras pessoas. Ou que voc\u00ea tenha dominado a arte de permanecer em seguran\u00e7a durante a pandemia.<\/p>\n<p>Descobrir como manter a rotina normal com seguran\u00e7a pode dar ao seu c\u00e9rebro outra coisa para controlar, al\u00e9m de limitar suas rea\u00e7\u00f5es a amea\u00e7as. E, dessa maneira, continuar se sentindo no controle de sua sa\u00fade.<\/p>\n<p><b>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/saude\/2020\/06\/10\/cansaco-da-quarentena-por-que-paramos-de-ser-vigilantes-e-como-superar-isso\">CNN Brasil<\/a><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea descobriu que n\u00e3o est\u00e1 mais desinfetando suas m\u00e3os com tanta frequ\u00eancia ou se tornando mais relaxado com viagens desnecess\u00e1rias para fora de casa, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 \u00fanico. Esse fen\u00f4meno n\u00e3o intencional \u00e9 a &#8220;fadiga do cuidado&#8221; \u2013 e voc\u00ea deve culpar seu c\u00e9rebro por isso. 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